No Espaço Não Existem Sentimentos (Andreas Öhman, 2010)


                                                                                         TRAILER:


Direção: Andreas Öhman
Gênero: Comédia Romântica, Drama
País: Suécia

Sinopse: Simon, portador da Síndrome de Asperger, é incapaz de habituar-se à mudanças em sua rotina estrita. Quando o relacionamento amoroso de seu irmão termina por sua causa, Simon se encarrega da missão de encontrar-lhe uma nova namorada que reestabeleça a normalidade em suas vidas.  

Análise:

Equilíbrio. Antes de quaisquer outros elementos, é possível que seja esse o mais importante fator a ser levado em consideração no uso do humor para se contar histórias. As linhas que separam a comédia genuína do abuso sem-graça são muito tênues, e a definição sobre o que é considerado bom-senso em cada situação não passa de uma nebulosa.

No entanto, a dosagem certeira entre uma estrutura forte e a utilização do humor não como pilar, e sim, como adorno, costuma resultar em um equilíbrio narrativo que permite a exploração até mesmo dos temas mais delicados, sem que se sinta que lhes foram feitas ofensas ou algum tipo de desserviço.

O diretor David O. Russel, ao buscar uma história que confortasse seu filho bipolar, encontrou essa medida funcional em “O Lado Bom da Vida”, tratando do estigma das doenças mentais com habilidade singular e criando um filme que conquistou espaço cativo entre os meus favoritos.

No longa-metragem sueco “No Espaço não Existem Sentimentos”, mais uma vez, tive o prazer de desfrutar de uma narrativa com proporções tão adequadas quanto exigiria a obsessão métrica de Simon, o protagonista portador da síndrome de Asperger, interpretado irretocavelmente por Bill Skarsgard.


Através de referências minuciosamente inseridas, o filme de Andreas Öhman constrói, por vezes de forma hilária, um paralelo entre o isolamento físico e mental experimentado por viajantes espaciais e a dificuldade de interação social que costuma ser característica dos portadores da síndrome.

Como passageiro recorrente de uma curiosa “lata espacial”, Simon procura se distanciar de seus problemas terrenos e nos aproxima de seu drama em emoções derivadas do caos que ele tenta inutilmente evitar. Martin Wallström, no papel do carismático Sam, faz um esforço tremendo para manter o balanço necessário ao universo do irmão até passar a ser, ele mesmo, a variável que desequilibra o sistema quase perfeito.

A personagem de Cecilia Forss completa o elenco principal, invadindo a obsessão de Simon em seu planejamento inflexível para restaurar a ordem, cruzando seu espectro preto e branco com níveis de cinza desconhecidos e perturbando equações mal formuladas para a realidade para transformá-las em um resultado narrativo nada menos que excelente.


Sobre a Autora:

Shelsea Hüsch é formada em Rádio e TV e coleciona uma pilha crescente de livros não lidos. Aficionada por todo tipo de histórias, sonha em um dia poder contá-las nas mais diversas mídias. Seus outros interesses são: música, programas de entrevista e seus rottweilers.  

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About leandro godoy

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