Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (Lorene Scafaria, 2012)


                                                                                      TRAILER:


Direção e Roteiro: Lorene Scafaria
País: EUA
Gênero: Comédia, Drama, Romance.

Sinopse: Um asteroide está em rota de colisão com a Terra e não há mais nada que possa ser feito para salvar o planeta. Três semanas é o tempo que resta a Dodge Petersen e sua vizinha, Penny, para percorrer o país e reencontrar pessoas importantes em suas vidas antes do fim da humanidade.

Análise

Em tempos em que a maioria dos temas já foi explorada à exaustão, desenvolver histórias originais tornou-se, basicamente, uma questão de abordagem. Fugir dos lugares-comuns é um desafio que exige, cada vez mais, a combinação de novos olhares com a coragem de retirar ou transfigurar artifícios batidos, em nome de um ineditismo que ainda seja capaz de cativar audiências.

Enquanto uma trama envolvendo a colisão de um asteroide contra a Terra e a extinção iminente da raça humana poderia facilmente recorrer às pirotecnias, às missões mirabolantes e aos intrépidos heróis comuns à maioria dos filmes apocalípticos, “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo”, da diretora e roteirista Lorene Scafaria, optou por um retrato quase intimista de dois protagonistas resignados com seu destino fatal.

Logo no primeiro minuto, sabemos que qualquer esperança de salvação foi embora junto da última e fracassada tentativa de desvio do asteroide. Dodge, o pacato vendedor de seguros interpretado por Steve Carell, se vê abandonado por sua esposa logo após a confirmação da fatalidade. Mas não tarda até que, em uma ironia da vida, ele encontre a companhia de Penny, uma vizinha do andar de baixo, com a qual nunca havia trocado uma palavra sequer em três anos de vivência no mesmo prédio.


Confesso que parte de meu interesse pelo filme nasceu do enorme estranhamento em imaginar Carell e Keira Knightley dividindo a tela. A dupla praticamente sustenta sozinha os 101 minutos de história, com uma química inusitada e de maneira tão sincera em certos momentos, que faz a tragédia inevitável ser de partir o coração.

Não há nada que se possa fazer. Não há escapatória e em nenhum momento tenta-se iludir o espectador com a esperança de uma solução divina. Há surtos de todos os tipos, representados em reações de revolta, depressão, aceitação, e estripulias típicas de quem aproveita os últimos dias inconsequentes de existência.
Um pouco surreal por não sermos realmente capazes de conceber tal situação, mas arriscadamente real na interpretação do que poderia de fato acontecer, “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo” é um filme completamente humano, inegavelmente triste e ainda assim capaz de arrancar gargalhadas.

Porque é através dos pequenos, mas simbólicos objetivos finais dos protagonistas, que se identificam alguns valores que realmente importam na perspectiva da vida frente à morte, e é também através das situações absurdas que se percebe o quanto é ridículo, muitas vezes, ser apenas um humano confuso, habitando um planeta que pode sumir a qualquer instante pelas graças de um asteroide qualquer.  


 Sobre a Autora:

Shelsea Hüsch é formada em Rádio e TV e coleciona uma pilha crescente de livros não lidos. Aficionada por todo tipo de histórias, sonha em um dia poder contá-las nas mais diversas mídias. Seus outros interesses são: música, programas de entrevista e seus rottweilers. 
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About leandro godoy

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