A Vingança de Jennifer (Meir Zarchi, 1978)



                                                                            
                                                                          TRAILER:



Direção: Meir Zarchi
Roteiro: Meir Zarchi
País: EUA
Elenco:
Alexis Magnotti (Johnny's Wife)
Anthony Nichols (Stanley)
Camille Keaton (Jennifer Hill)
Eron Tabor (Johnny)
Gunter Kleemann (Andy)
Isaac Agami (Butcher)
Richard Pace (Matthew)
Tammy Zarchi (Johnny's Daughter)
Terry Zarchi (Johnny's Son)
Traci Ferrante (Waitress)
William Tasgal (Porter)

Sinopse: Jeniffer é uma jovem escritora que quer escrever um livro num local tranquilo, por isso viaja para o interior, chegando à cidade é vítima de cinco caipiras que a estupram violentamente. Ela busca uma vingança sangrenta e caça-os um por um.

Análise:

O filme é um clássico da exploitation norte-americana, filmes polêmicos que enfrentavam os costumes tradicionais da sociedade conservadora dos anos 1970, o ''calo no sapato'' desta doença social que assolava os EUA que tiranizava e oprimia negros, mulheres e homossexuais, ou seja, todos aqueles que não viviam de acordo com seus padrões morais impregnada pelo o sistema através dos meios de comunicação como mídia e religião. Hoje em dia, esta doença está erradicada, mas a sociedade estadunidense ainda carrega suas pesadas cicatrizes e a espalha para os países dominados economicamente pelos EUA, como acontece aqui no Brasil, porque seguimos os padrões de vida norte-americano, nossa sociedade ainda é misógina, racista, hipócrita e homofóbica e compra tudo aquilo que segue esta linha ideológica falida, como programas de televisão, moda e marketing.

O filme desmistifica a imagem criada pelo machismo de que a mulher é um sexo frágil e deve ser submissa perante os homens, através da polêmica da violência sexual e suas consequências. A protagonista é interpretada pela a bela Camille Keaton, a musa das grindhouses norte-americanas. 

Aqui, o diretor estreante Meir Zarchi, escreve e dirige este filme de terror psicológico de forma brilhante, com pouca verba e muita criatividade ele consegue criar uma atmosfera de horror que remete o comum, vemos o filme imaginando que as atrocidades cometidas contra Jennifer (Camille Keaton) por um grupo de homens - A mais longa cena de estupro da história do cinema, ela contém 25 minutos 19 segundos - podem acontecer com qualquer mulher, despertando um sentimento de revolta chocando ainda mais às pessoas que assistem ao filme justificando a vingança de Jennifer para com seus agressores. Vemos neste filme todas personificações dos pensamentos machistas que oprimem a mulher até nos dias atuais, que diz como elas devem se vestir e como elas devem se comportar. Deixo claro, que não estou falando da banalização da mulher também cometido pelo machismo, que a transforma num simples objeto, e que é seguido por muitas mulheres brasileiras, mas sim do cotidiano normal, de mulheres normais.

Neste filme, as cenas são amadoras, mas a câmera do diretor faz com que as cenas de violência contra Jeniffer seja aterradoras, os planos secos e sem cortes de edição junto com a atuação dos atores são brilhantes, assim como também a edição cuidadosa do filme, que consegue captar toda a selvageria da cena, exacerbando o choque, este filme é uma aula de como se fazer bons filmes, ele serviu de inspiração para que Quentirn Tarantino realizasse ''Kill Bill'', dito pelo o próprio diretor, que se inspira em vários clássicos das ''grindhouses'' estadunidenses para conceber suas obras.

Depois de sofrida toda esta atrocidade por quatro maníacos sexuais interpretados por Eron Tabor, Gunter Kleemann, Isaac Agami e Richard Pace. Jennifer arquiteta uma vingança que vai muito além do esperado, é neste momento que vemos a força da mulher, que com frieza e calculismo faz de tudo para vingar-se de seus violentadores e não mede esforços para restruturar sua honra. Ela não busca os meios convencionais para lidar com sua tragédia, é na vingança que ela busca a sua justiça. Jennifer eleva ao máximo o bordão popular que diz: ''A vingança é um prato que se come frio''.

Enfim, este filme pode ser ruim para àqueles que estão acostumados à ver filmes que seguem a nova tendencia de se fazer cinema, ou seja, sem nenhum estilo e muito menos conteúdo, àqueles que esperam algo conservador e que é lógico e rápido, ou seja, filmes ausentes de linguagem cinematográfica que se utilizam de artifícios baratos de distração como efeitos em CGI, devem passar longe deste filme. 



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About leandro godoy

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