Saving Mr. Banks (John Lee Hancock, 2013)


                                                                               TRAILER:


Direção: John Lee Hancock
Roteiro: Kelly Marcel e Sue Smith
Gênero: Biografia, Comédia, Drama.
País: EUA

Sinopse: Após anos de contínua rejeição, Walt Disney finalmente consegue que P.L. Travers, autora de “Mary Poppins”, visite seus estúdios para analisar a possibilidade de uma adaptação cinematográfica de seu livro. No entanto, sua aversão à Hollywood e ao próprio império de Disney, torna a assinatura do contrato um objetivo praticamente inatingível.

Análise

Há algo de fascinante e intrínseco às histórias de sucesso, que se encontra, justamente, nos seus históricos prévios de fracasso. Por trás de todo feito e conquista admirável, estende-se uma trajetória ainda mais memorável de tropeços. É essa a incrível faceta explorada pelo longa-metragem “Saving Mr. Banks”, que traz os conturbados bastidores de produção do clássico “Mary Poppins”, e a conclusão de uma saga de 20 anos em que Walt Disney penou para conseguir os direitos do livro que se transformaria em um dos mais icônicos e premiados filmes de seu estúdio.

Desde seu lançamento, em 1964, “Mary Poppins” estabeleceu-se como um dos grandes clássicos da história do cinema, garantindo seu espaço na lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos, e faturando cinco das onze estatuetas que disputou no Oscar. A narrativa, inspirada no livro homônimo da australiana P. L. Travers, por pouco não teve sua magia reservada apenas às páginas da literatura.

Emma Thompson, como haveria de se esperar, incorpora com primazia a autora de personalidade difícil, que resistiu de todas as formas contra duas décadas de adulação e tentativas frustradas de fazê-la conceder os direitos de sua tão estimada obra para adaptação em terras californianas. Apenas a iminência de dificuldades financeiras e a concessão de livre acesso ao roteiro a convenceram a embarcar rumo ao encontro de Disney, a quem continuou a enrolar e enlouquecer por semanas a fio.


Inflexível, Pamela Travers possuía imagens muito claras de seus personagens, e nenhuma delas envolvia músicas alegres, palavras inventadas e, principalmente, traços abomináveis de animação. O resultado de sua interação precária com a equipe criativa de Walt, cuja confiança e alto-astral jamais poderiam estar preparados para o balde de água fria representado por sua chegada, está nas cenas divertidíssimas entre Thompson, B.J Novak, Jason Shwartzman e Bradley Whitford, nos papéis dos irmãos Sherman, os compositores, e do roteirista Don DaGradi, respectivamente. Paul Giamatti faz uma ponta excelente como Ralph, o motorista particular que despretensiosamente colabora para desenterrar um lado mais vulnerável da aparentemente inexorável Pam. Lado esse que, uma vez compreendido pelo intrigado e carismático Walt Disney, em bela atuação de Tom Hanks, torna-se o combustível de um discurso inflamado em defesa de suas boas intenções e do carinho pessoal pela história que, muitos anos antes, havia cativado suas filhas.

Em um filme dos estúdios Disney sobre parte de sua própria história, não poderiam faltar elementos como uma direção de arte impecável, uma estrutura narrativa meticulosamente trabalhada para despertar as emoções desejadas nos momentos certos, e um encerramento do tipo que deixa espectadores de todas as faixas-etárias com um sorriso no rosto. Como sempre, um entretenimento previsível, mas de ótimo nível.    



Sobre a Autora:

Shelsea Hüsch é formada em Rádio e TV e coleciona uma pilha crescente de livros não lidos. Aficionada por todo tipo de histórias, sonha em um dia poder contá-las nas mais diversas mídias. Seus outros interesses são: música, programas de entrevista e seus rottweilers. 

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About leandro godoy

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