'71 (Yann Demange, 2014)

Diretor: Yann Demange
Roteiro: Gregory Burke
País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Gênero: Ação, Drama, Guerra
Elenco: 
Jack O’Connell (Gary Hook)
Barry Keoghan (Sean Bannon)
David Wilmot (Boyle)
Killian Scott (James Quinn)
Liam McMahon (O'Brien)
Martin McCann (Paul Haggerty)
Valene Kane (Orla)

Sinopse: Um jovem recruta inglês, na Irlanda do Norte, encontra-se em território inimigo e vive uma noite de incertezas, medo e desespero. Um drama sobre a desgraça iminente do indivíduo em um ambiente de violência, mentiras e ódio.

Análise:

O filme é um thriller sobre a luta pela sobrevivência de um recruta inglês que é deixado para trás nas linhas inimigas quando o exercito foi escoltar uma batida policial numa casa na região da irlanda do norte, comandada pelo o grupo terrorista IRA. Este é mais um  filme britânico anti-guerra que critica a política bélica britânica, que por muitos anos invadiu territórios e repatriaram vários países através de conflitos armados.

O imperialismo britânico é movido por uma política neoconservadora camuflada pela densa névoa da democracia, nessa premissa a Inglaterra começou e participou de vários conflitos armados dando aos seus primeiros ministros o rótulo de senhores da guerra, criando rivalidades e semeando o ódio e a discórdia. O conflito mais vergonhoso para toda grã-bretanha com certeza foi a guerra civil na Irlanda do Norte, um país que não queria se deixar dominar pelo imperialismo inglês e por muitos anos resistiu a esta dominação levando a Inglaterra a intervir militarmente, começando uma guerra desigual que durou vários anos e matou milhares de civis irlandeses.


O diretor Yann Demange ambienta com maestria este conflito pela perspectiva deste recruta, que movido pelo instintio de sobrivência tenta de todas as formas fugir deste territótio hostil. O ator inglês Jack O'Connel, interpreta o recruta proscrito pelo seu próprio exército numa atuação simplória e forte representando com perfeição a angústia solitária e excruciante vivida pela personagem.

O filme não possui cenas de ação de grandes proporções e nem mostra a personagem principal como sendo uma força da natureza que subjulga seus inimigos, ele segue a linha do cinema verdade como se fosse um relato jornalístico em primeira pessoa, denunciando todo ódio, violência e mentiras deste ambiente mergulhado em tragédias. O estilo cinematográfico e o espaço fílmico utilizado em '71 se parece bastante com o filme ''Domingo Sangrento'' de Paul Greengrass, que é uma obra-prima que também foca na natureza deste conflito.

O que mais gosto em filmes assim é de como eles conseguem transmitir de forma palatável a natureza de um conflito armado onde não se enaltece patriotismos mostrando que na guerra não existem lados. O que importa são os interesses banais de poucas pessoas que levam ao morticínio de milhares e de como os verdadeiros heróis são aqueles que realizam grandes feitos mas ficam anônimos, ocultos pela conveniência e interesses políticos.


Sobre o autor:

Leandro Godoy é o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Também é escritor do site Obvious e La Parola. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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About leandro godoy

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