A Última Noite (Spike Lee, 2002)


TRAILER:



Direção: Spike Lee
Roteiro: David Benioff
País: EUA
Elenco:
Aaron Stanford (Marcuse)
Al Palagonia (Salvatore Dominick)
Anna Paquin (Mary D'Annunzio)
Barry Pepper (Frank Slaughtery)
Brian Cox (James Brogan)
Edward Norton (Monty Brogan)
Isiah Whitlock Jr. (Agent Flood)
Levan Uchaneishvili (Uncle Nikolai)
Michael Genet (Agent Cunningham)
Misha Kuznetsov (Senka Valghobek)
Philip Seymour Hoffman (Jacob Elinsky)
Rosario Dawson (Naturelle Riviera)
Tony Devon (Agent Allen)
Tony Siragusa (Kostya Novotny)


Sinopse: Monty Brogan (Edward Norton) foi recentemente condenado a 7 anos de prisão, por envolvimento em tráfico de drogas. Em seu último dia antes de se apresentar na penitenciária Monty começa a recordar sua vida e sua vontade em ser bombeiro, quando ainda criança, e como a facilidade do dinheiro do tráfico o fez mudar de rumo. Decidido a aproveitar ao máximo seu último dia de liberdade, ele decide passar uma noite fora com seus dois melhores amigos, Jakob (Philip Seymour Hoffman) e Francis (Barry Pepper).

Análise:

''A Última Noite'' de Spike Lee é um dos filmes estadunidenses pós 11 de setembro que tive o prazer de ver e rever várias vezes, este filme disseca a forma como os novaiorquinos enxergam os atentados terroristas que mudaram drasticamente seus estilos de vida, criando uma nova cultura do medo, renascendo das cinzas uma nova sociedade de convicções xenofóbicas, consumistas e paranoicas. Aqui vemos Monty Brogan - em mais uma atuação brilhante de Edward Norton - antes de ir para a prisão cumprir uma pena de 7 anos por tráfico de drogas, assim ele reúne seus dois melhores amigos, Jakob (Philip Seymour Hoffman) e Francis (Barry Pepper) para acompanha-lo em bares e casas noturnas nesta sua ultima noite de liberdade.

O filme mostra a relação entre estes três amigos, três personalidades diferentes que se confrontam a todo momento, eles questionam a fidelidade e a consideração um pelo o outro, as escolhas que cada um fez e suas angustias e frustrações, e seus papeis na sociedade e na cultura de consumo, tendo sempre  os atentados às torres gêmeas como plano de fundo, um assunto ainda recente, quase impossível de se esquecer e de não estar em qualquer conversa de mesa de bar, o filme se passa em 2002 um ano após os atentados terroristas. Eles começam a se questionar, como nova-iorquinos, onde eles estavam quando os atentados ocorreram, o que eles poderiam ter feito, o que eles pensam sobre isso e como estes eventos mudaram suas vidas, tudo isso de forma singela, dando mais enfase em suas existências. É um filme despretensioso e real, que causou polêmica na época em que foi lançado. 

O filme mantém um ritmo que oscila entre diálogos interessantes e concisos sem serem monótonos à explosão existencial dos personagens, uma cena antológica é de Monty Brogan (Edward Norton) em frente ao espelho, onde o seu reflexo faz um desabafo enquanto a pessoa real apenas olha estasiada e impotente,  uma representação do seu subconsciente, o que ele pensa sobre tudo o que estava acontecendo mas guarda dentro de si, um discurso real e brutal onde ele se coloca no lugar de uma pessoa imparcial perante aos rótulos criados que diferenciava as pessoas devido a paranoia pós 11 de setembro, colocava os negros, muçulmanos, católicos, homossexuais, conservadores, republicanos, asiáticos, ricos, pobres, ou seja, toda e qualquer convicção cultural, étnica, religiosa e política em lugares diferentes sendo mais fácil a sua distinção, mas independente de classe ou convicção, todos eles são seres humanos e por isso a evolução é uma característica fundamental mas ela é colocada de lado pela a hipocrisia e o conformismo. Esta cena possui o ''dane-se'' mais impressionante que já vi.

Cena de Monty Brogan (Edward Norton) diante do espelho, aconselho a quem ainda não viu o filme não assistir a esta cena e não estragar o efeito surpresa que ela trás. Cena: ''Fuck you...no...FUCK IT ALL''


O filme nos leva nesta jornada existencialista destes personagens comuns do cotidiano, que estão inseridos neste contexto social e político crítico, personagens que questionam as suas escolhas e seu lugar no mundo, um excelente drama que nos faz pensar em nós mesmos, no ambiente em que estamos inseridos, e de como as escolhas que fazemos podem definir uma vida.



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About leandro godoy

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